sábado, 20 de fevereiro de 2016

Elie Wiesel - A noite [Desafio Alfabeto Literário]


Eis que estamos no segundo mês do Desafio lançado pela galerinha do Mundo de Tinta. Neste mês de fevereiro deveríamos escolher um ou mais autores com as iniciais E, P ou X.
Ao olhar minha estante, percebi que tinha muitos escritores com a letra E e uns poucos gatos com a letra P. Fiz um sorteio básico e caiu nas minhas mãos o pequeno grande livro de Elie Wiesel

Talvez poucos o conheçam (eu mesma não tinha noção de sua existência), mas Elie é tão importante quanto Anne Frank quando o assunto é holocausto, judeus, Auschwitz...
Nascido em Sighet, Transilvânia (hoje faz parte da Romênia), em 1928, Elias Wiesel é um sobrevivente dos campos de concentração nazistas. Apesar de todo o sofrimento passado, ainda vive em sua jovialidade de 87 anos. Em 1986 recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua obra de 57 livros, os quais foram dedicados à memória do Holocausto em busca de defender grupos de vítimas de perseguições.

MAS... o que dizer da obra em si?

A obra não ficcional de Elie Wiesel conta sua passagem por campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, Elie era apenas um adolescente que se é separado da mãe e da irmã, e passa a lutar pela vida com seu pai. Durante este livro memória conta o que viu e viveu nos campos com o pai: mortes, execuções, torturas e sofrimentos.

O que mais me deixou angustiada na narrativa é que o autor relata um homem que foi deportado de seu vilarejo anteriormente, mas consegue regressar e alertar a todos de Sighet. A questão é que como esse homem (chamado de Mochê Bedel) era um morador de rua - na verdade não especifica bem, mas dá a entender que sim - ninguém acreditou nele, rindo, caçoando, chamando-o de louco. Passado alguns dias os alemães chegam como bons moços, para então porem em ação o "plano malígno" de Hitler. 

Em sua narrativa, Elie demonstra sua decepção com Deus e questiona muito Sua presença e até mesmo existência, passando a desistir das orações e largar toda a sua crença para trás.



Apesar de conhecermos um pouco da História, da barbárie que foi o holocausto, e quanta gente sofreu e outros tantos que morreram, não sentimos na pele tudo isso. Eu mesma, fruto de um infância de final da ditadura, nem sei o que é sofrer tanta repressão, mas mesmo assim me questiono como os homens podem ser capazes de tanta maldade - e ainda me surpreendo que nem a História ensinou nada ao homem e continua com as mesmas barbáries. 

Segundo o prefácio escrito por François Mauriac, esta obra impressiona pela "morte de Deus nessa alma de criança que descobre subitamente o mal absoluto".

Às vezes, na leitura, acabava me esquecendo que eram relatos reais, que um jovem estava descrevendo por tudo o que passou, pois apesar de tanta dor, o autor encontrou uma forma de nos contar de forma simples e direta.
Este livro é resultado de uma ferida que precisava ser tratada, mas a cicatriz permanecerá como marca e lembrança.

"Três dias após a libertação de Buchenwald, eu caí muito doente [...] Um dia pude me levantar [...] Queria me ver no espelho pendurado na parede em frente. Não via meu rosto desde o gueto.
Do fundo do espelho, um cadáver me contemplava.
Seu olhar nos meus olhos não me deixa mais."

 Depois dessa leitura, cheguei a conclusão que DEVO ler Diário de Anne Frank [pois é, vergonha admitir que nunca li!]


Autor: Elie Wiesel
Editora: Ediouro
Ano: 2006 (3ª edição) [publicado primeiramente em 1955]
Páginas:120

Um comentário:

Mundo de Tinta disse...

Oi Priscilla,
Já li o Diário de Anne Frank mas não conhecia esse.
Todos os livros que falam de Holocausto, campos de concentração são muito bonitos, mas quando a experiência é pessoal parece que a emoção dobra.
Vou coloca-lo na lista.
Obrigada pela participação no Desafio Alfabeto Literário.
bjs,