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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Resenha: Eu, robô

por Pri Fernandes

Obra escolhida para o Desafio do mês de abril, para distopia. Também foi aproveitado para o mês de maio: livro que virou filme.

Autor: Isaac Asimov
Editora: Pocket Ouro (selo da Agir)
Ano: 2004
páginas: 313





A obra de Asimov é referência para muitas obras e filmes de ficção que envolvem a robótica. Inclusive o termo robô/robótica foi cunhado pela primeira vez por Asimov. 
O que torna Asimov incrível é pelo fato de que, com apenas 19 anos, no ano de 1939 ser tão revolucionário e visionário ao iniciar suas histórias de ficção para ganhar dinheiro para pagar suas dívidas.

Podemos comparar Asimov com Júlio Verne? Eu acredito que sim, os dois são grandes nomes da literatura, e por que não dizer da ciência? Com suas visões de um futuro impossível naquela época! 

Ao ler esta obra, é incrível como reconhecemos muitas coisas que foram utilizadas, citadas e referenciadas em inúmeros filmes, podendo citar inclusive Guerra nas Estrelas, Blade Runner e O exterminador do futuro.


A história na verdade se resume à evolução que a robótica teve, tendo como foco principal as três leis (que foi alicerce para toda a ficção científica): 1ª Um robô não pode ferir um ser humano, seja por omissão ou permitir que sofra algum mal. 2ª As ordens devem ser obedecidas pelos robôs, exceto nos casos em que essas ordens conflitem com a Primeira Lei. 3ª Um robô deve proteger sua própria existência, contanto que se autoproteger não conflite com a Primeira e/ou Segunda Lei.


A obra em si é uma reunião de contos que ocorreram em diferentes circunstâncias, locais e protagonistas. Contudo, são todas narradas por Susan Calvin, uma das melhores, senão única, robopsicóloga contratada pela US Robotics. A narrativa é engenhosa conduzindo o leitor com certo didatismo, mesmo que disfarçado: somos levados pela imaginação e pelo humor de Asimov, nem nos damos conta da lição de história da robótica que acabamos aprendendo.

Tudo se inicia com a história da babá, muito querida e abusada por sua criança mimada. Finalizando com chave de ouro com a Máquina, com maiúscula, que controla toda a Terra. Ainda podemos encontrar robôs que enlouquecem, que fazem piadas, que leem pensamentos, e até mesmo robôs orgulhosos de serem mais espertos do que os seres humanos. Os conflitos que surgem são muito interessantes, nos faz refletir sobre até que ponto dominamos a natureza robótica, mesmo como criadores. Será que as máquinas não nos dominam, mas apenas nos mantêm como os dominadores?

Eis aqui um exemplo clássico de que livro e filme nada têm em comum. Eu estava esperando encontrar a história do filme, tal e qual. Contudo, o livro foi apenas um pontapé para a criação do filme. Temos os personagens principais, como Alfred Lanning (que no livro é o diretor da US Robotics e no filme é apenas um dos cientistas), temos também Robertson (que no livro almeja o cargo de diretor, enquanto no filme ele é o próprio), e claro, a nossa narradora do livro Susan Calvin (que inclusive a personalidade das duas – livro e filme – são completamente diferentes).


[possível spoiler] A maior diferença também a respeito das duas obras é que no livro a US Robotics passou anos lutando para inserir os robôs na sociedade, sendo muito condenada pelo governo por tentar tratar máquinas como iguais. O governo apenas permitiu a utilização desses robôs com fins de mão de obra pesada e/ou para atividades que causem danos para o ser humano. Já no filme, os robôs são totalmente aceitos entre os homens, sendo nossas babás, trabalhadores bracais e tratados muito bem por toda [ou quase toda] a sociedade. Aparentemente, o único que condena essa inserção das máquinas em nosso mundo é o detetive Spooner (interpretado por Will Smith).


Adorei as duas obras: tanto livro quanto o filme são muito bem trabalhados os conflitos entre humanos e máquinas. E justamente pelo filme não ser uma transcrição do livro, e apenas inspirado nas 3 leis criadas por Asimov e com participação de alguns personagens, não devem ser comparadas justamente pela história não constar nem no livro.

Vale muito a pena ler esta obra para descobrir novas fronteiras da distopia e ficção científica voltada ao mundo robótico, como também assistir ao filme.  


Ficha técnica filme
Título original: I, robot
País: EUA/Alemanha
Ano: 2004
Diretor: Alex Proyas
Atores: Will Smith, Bridget Moynahan, Chi Mcbride, Alan Tudyk, James Cromwell, Shia LaBeouf.
Estreia nos EUA: 16 de julho de 2004

Estreia no Brasil: 6 de agosto de 2004

terça-feira, 6 de maio de 2014

Resenha: Jogos Vorazes

por Mee


Obra escolhida para o Desafio Literário de Abril  
Autor: Suzanne Collins 
Editora: Rocco - Jovens Leitores 
Ano: 2010 
páginas: 397






O primeiro volume da Trilogia Jogos Vorazes se passa num futuro após a queda da América do Norte, na cidade Panem que tem sua capital e seus distritos. A história tem como narradora sua protagonista Katniss, que mora num distrito paupérrimo. Dedicada à sua família, assume a posição de líder da casa após a morte de seu pai, caçando, fazendo escambo e comerciando para alimentar sua mãe, sua irmã e um gato.
Tudo muda no dia em que há a seleção dos participantes para os Jogos Vorazes, que é um estilo de reality show o qual é assistido por todos os cidadãos, e que obriga a crianças (sempre escolhido dois de cada Distrito – um menino e uma menina – entre 12 a 18 anos) a se matarem violentamente até restar um único jogador. Prim, a irmã mais nova, é selecionada em meio a vários papeizinhos e Katniss se oferece como tributo para os jogos no lugar da irmã.
Os Jogos Vorazes foram criados por idealizadores da Capital e com o aval do Presidente Snow, para lembrar os 12 distritos dos dias negros, que foi uma época marcada pela revolução do Distrito 13, atualmente extinto, contra a opressão e alienação do governo, obrigando então os demais distritos a enviar todos os anos novos tributos para o reality show.
Existe uma ótima crítica à nossa sociedade por trás desta história. Uma sociedade na qual as pessoas consomem a mediocridade do reality show enquanto há tantas guerras a serem travadas fora da TV.
Há muita ação no desenrolar da história, mas não é maçante com detalhes extensos já que é do ponto de vista da protagonista e nem sempre ela está nos lugares que acontecem as ações. Também gostei muito da abordagem do romance entre Katniss e Peeta. Que começa despropositadamente, cresce e nem Katniss mesmo percebe o quanto ela gosta de Peeta.
Li outros títulos com o tema distopia e fui muito infeliz, mas esta obra que escolhi realmente me empolgou e acabei lendo toda a trilogia. Recomendo muito.
 

sábado, 3 de maio de 2014

Resenha: Feios

por Liz Sumeragi



Obra escolhida para o Desafio Literário de Abril  
Autor: Scott Westerfeld
Editora: Galera Record 
Ano: 2012
páginas: 415




A história se passa 300 anos no futuro. Depois de um evento catastrófico, a humanidade como é hoje não existe mais. As cidades passaram a ser autossuficientes,
mas, de certa forma, dependentes do metal que nós, “Enferrujados”, deixamos para trás. Apenas alguns grupos de pessoas restaram agrupados em pequenas cidades pelo Planeta todo, e totalmente separadas da “natureza selvagem” e das ruínas do mundo que deixamos para eles.


Esse é o mundo em que ser normal é ser feio. As crianças crescem sendo condicionadas a desejar com fervor quase religioso o momento em que, no dia em que completam 16 anos, a cirurgia que os deixará perfeitos será realizada. Nesse mundo, o governo banca absolutamente tudo. Desde os colégios dos feios até as festas e bebedeiras dos novos perfeitos. Apenas após a cirurgia que transforma dos “novos perfeitos” em “perfeitos de meia-idade” é que as pessoas precisam se preocupar com trabalho.

É nesse cenário que Tally, uma garota que cresceu sonhando e desejando e esperando a cirurgia, vive. Seu melhor amigo havia acabado de ser submetido às cirurgias e ela aguardava ansiosamente pela sua vez, em aproximadamente três meses. Porém, no meio do caminho, Tally conhece Shay, uma garota que não está tão certa assim que deseja passar pelas cirurgias obrigatórias.

Shay ouviu rumores sobre uma resistência se formando e fugiu para se juntar a eles. Os rebeldes não confiam nesse mundo perfeito e preferem viver entre “iguais” na natureza selvagem. Eles preferiram fugir a passar pela cirurgia.

Após a fuga de Shay, Tally se vê envolta a acontecimentos além de seu controle, no meio de uma conspiração e precisa decidir se o que ela sempre sonhou é o que ela realmente deseja. O mundo perfeito pode não ser assim tão perfeito.

O livro é acima de tudo uma crítica social. Os “feios” são educados sobre como nosso mundo funcionou, onde nem sempre o mais capaz, e normalmente o mais bonito acaba conseguindo as melhores oportunidades. Aprendem também como nossa cobiça e desperdício de recursos os levou ao mundo em que vivem agora. 

Porém, a escrita do autor tem um ritmo extremamente lento. Irritantemente lento em alguns momentos. E o livro não seria machucado com umas 100 páginas a menos. Seguir a rotina da Tally se tornou cansativo. E o romance parece que só foi adicionado unicamente com as intenções de fazer Tally mudar de ideia e criar conflito. Aliás, Tally é uma garota extremamente volúvel, e carente. Ela adora ser o centro das atenções, chegando a mentir (e aumentar seus feitos em algumas histórias) para as pessoas prestarem atenção nela. Como protagonista, ela deixa muito a desejar.

Mas enfim, que venham os próximos dois livros da série, mais o Extras (que é o livro 4 da série, apesar de não contar uma história intimamente relacionada à trilogia original).

Apesar de os direitos da obra terem sido adquiridos em 2011 pela Davis Entertainment, apenas em 2013 boatos sobre um filme voltaram a aflorar, apesar de o autor afirmar que ainda estão longe do momento de conversar sobre escalação dos atores.

Booktrailer